Tomates cultivados fora do solo podem apresentar maior produtividade

24 de outubro de 2022

Um sistema de cultivo desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Agroindústria Tropical tem apresentado produtividade surpreendente para o tomate cereja na região da Serra da Ibiapaba, no Ceará. Os especialistas indicam que o modelo, que apresenta cultivo fora do solo, gera frutos de excelente qualidade, sendo comercializados com preços acima dos obtidos no sistema tradicional.

Os testes são conduzidos desde 2009 nos municípios de Guaraciaba do Norte e São Benedito e, em nota, Fábio Miranda, pesquisador envolvido no projeto, aponta que os resultados estão bastante satisfatórios. Enquanto a produtividade média do produto na região é de 63 toneladas por hectare ao ano, o cultivo obtido pela Embrapa chega a 166 t/ha/ano. Além disso, ele aponta que há boa aceitação no mercado.

No cultivo sem solo, os tomateiros desenvolvem-se em vasos ou sacos de cultivo contendo um substrato, composto por fibra da casca de coco (ideal para o Nordeste), areia, vermiculita e outros materiais orgânicos. As necessidades hídricas e nutricionais são providas à planta por meio de uma solução nutritiva. Miranda explica que o cultivo dessa forma pode ser feito em qualquer época do ano e dura entre 160 e 180 dias.

Redução de defensivos

Lindemberg Mesquita, outro pesquisador da Embrapa, acrescenta que, no cultivo em campo aberto, os tomates enfrentam problemas de pragas e doenças de solo, o que leva muitos agricultores a aplicarem grandes quantidades de agrotóxicos. No cultivo em estufa e sem solo, isso não ocorre, pois nematicidas e herbicidas são desnecessários, já o uso de fungicidas estima-se que pode ser reduzido em mais de 90%.

Somado a isso, o estudo também destaca que, em ambientes mais controlados, é possível utilizar armadilhas com feromônios específicos para espécies que atacam os tomates, como é o caso da traça-do-tomateiro e a broca-pequena-do-fruto. “Temos registrado uma infestação baixa da praga. Há, no máximo, 3% de frutos atacados pela traça-do-tomateiro, o que é considerado um percentual baixo”, declara Mesquita.

A Embrapa fez parcerias com produtores da Serra da Ibiapaba e essa novidade foi bem recebida pelos tomaticultures. Isso porque, abre perspectivas para que a atividade gere mais lucro, ao mesmo tempo em que reduz os impactos ambientais na região.

Foto: Divulgação/Embrapa/Ricardo Moura

 

Fonte: Globo Rural