Conab afirma que pretende adquirir 500 mil toneladas de milho para compor estoques públicos

29 de junho de 2023

O diretor-presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Edegar Pretto, confirmou há pouco, em coletiva de imprensa, que haverá uma retomada da formação de estoques públicos pelo governo federal. O primeiro produto que será incluído no mecanismo, segundo a Conab, será o milho. O governo pretende adquirir inicialmente um volume de 500 mil toneladas do cereal. A compra por parte do governo deve ser realizada através da modalidade AGF, para a qual deve ser disponibilizados recursos da ordem de R$ 400 milhões.

Pretto ressalta que a Conab possui 64 unidades de armazenamento públicas e irá fazer o cadastramento de novas unidades de terceiros junto ao setor privado para ter condições de realizar novas intervenções com outros produtos. “Neste sentido a Conab reajustou, no último dia 15, os valores pagos aos armazéns em 34%. Até o final do ano pretendemos fazer ações semelhantes. Iremos verificar em quais outros produtos poderemos intervir com o propósito de garantir a soberania alimentar e nutricional com a formação desses estoques”, afirma.

O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, ressalta que a política de formação de estoques públicos não se trata de uma intervenção de mercado, mas de garantir o abastecimento. “Não podemos deixar um produto como o milho na vulnerabilidade do mercado, que se exportem todos os grãos, pois pode haver problemas, como a seca observada no Rio Grande do Sul ou por problemas no Nordeste”, disse.

Para Fávaro, é fundamental que uma empresa pública atue para voltar a compor estoques. “Com o milho abaixo do preço mínimo, é importante que a Conab entre no mercado e compre o cereal. Assim como na entressafra, quando houver falta de milho no mercado, a Conab poderá entrar para recolocar ofertas de estoques nos locais que tiveram perdas na produção”, justifica.

Segundo o ministro do Desenvolvimento Agrário e da Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, a Conab tem um papel fundamental para garantir a soberania alimentar da população. “Vimos que a saúde da população teve uma piora nos últimos anos, com a queda nas áreas cultivadas de arroz, feijão, mandioca e outros produtos, o que levou ao consumo de produtos embutidos e processados”, comenta.

Conforme Teixeira, com a recomposição de estoques públicos, o governo quer fazer com que a população volte a ter uma alimentação mais saudável e que os produtores consigam dispor de um incentivo para voltar a produzir alimentos com a garantia de recebimento de um preço justo.

Foto: Freepik

 

Fonte: Safras e Mercado