China importou 241% mais soja do Brasil no 1º bimestre de 2022

21 de março de 2022

As importações chinesas de soja do Brasil aumentaram significativamente nos dois primeiros meses de 2022 em relação a igual período do ano passado, segundo dados alfandegários divulgados neste domingo (20/3). Maior comprador mundial de soja, a China trouxe 3,51 milhões de toneladas da oleaginosa do Brasil no período, uma alta de 241% em relação ao 1,03 milhão de toneladas do ano anterior, mostraram dados da Administração Geral de Alfândegas.

No ano passado, as chuvas no Brasil atrasaram a colheita e as exportações do país sul-americano, maior fornecedor de soja para a China. Este ano, a seca desacelerou a colheita e os embarques no Brasil, apertando a oferta de soja na China, forçando muitos esmagadores a interromper as operações e empurrando os preços do farelo para níveis recordes. Mesmo assim, as chegadas de soja ainda foram maiores do que no ano anterior, mostraram os dados.

A China também trouxe 10,04 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos nos primeiros dois meses de 2022, uma queda de 16% em relação às 11,9 milhões de toneladas do ano anterior, segundo dados alfandegários. No início de 2021, o país intensificou as compras de produtos agrícolas dos EUA para cumprir o compromisso no acordo comercial que os dois países assinaram em janeiro de 2020.

Grãos de primavera

O Ministério da Agricultura da China pediu na sexta-feira (18/3) às autoridades locais que minimizem o impacto das medidas de controle da Covid-19 no plantio e produção de grãos da primavera. O ministério disse que as agências agrícolas locais devem garantir a pontualidade e a área plantada de grãos da primavera para estabelecer uma base sólida para uma colheita abundante de grãos, de acordo com um aviso divulgado no site do ministério.

A entrega de alguns materiais agrícolas nos campos foi interrompida, assim como o plantio de primavera em algumas áreas afetadas pelos recentes surtos de Covid, disse o Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais em comunicado.

A China está lutando contra sua maior onda de casos de Covid-19 transmitidos localmente desde o surto inicial em 2020, com medidas rigorosas de controle que restringiram os negócios e bloquearam a movimentação das pessoas.

Pequim também se concentrou na segurança alimentar, uma prioridade de longa data para a liderança central que se tornou cada vez mais proeminente na política desde a pandemia.

As autoridades locais devem orientar os agricultores a administrar o atraso da safra de trigo e aproveitar as chuvas recentes e aplicar fertilizantes em tempo hábil, disse o comunicado. A condição da safra de trigo de inverno da China pode ser a pior da história, depois que fortes chuvas atrasaram o plantio da safra em algumas das principais regiões de produção.

Foto: REUTERS

 

Fonte: Globo Rural