Chuvas seguem reduzindo potencial de produção do trigo brasileiro

27 de outubro de 2023

O mercado doméstico de trigo teve reportes pontuais de negócios e preços inalterados nesta quinta-feira. No Rio Grande do Sul, as bases de preços para trigo tipo 01 ficam entre R$ 1.220 e R$ 1.230 a tonelada.

“Os altos índices pluviométricos continuam deteriorando as condições das lavouras e reduzindo as estimativas de produção. O potencial – com a área plantada – era para 5,4 milhões de toneladas. Na última semana, as projeções apontavam para 3,9 milhões de toneladas. Atualmente, agentes acreditam que o montante não ultrapasse 3,5 milhões de toneladas. Há relatos de produtores que optaram pelo abandono das áreas. Em termos de qualidade, é consenso entre os agentes de que mais da metade será de feed wheat. Sendo assim, o estado que nas duas últimas duas temporadas escoou volumes significativos de trigo milling no ciclo atual terá que buscar no exterior para atender a necessidade dos moinhos locais”, disse o analista da Consultoria SAFRAS & Mercado, Élcio Bento.

No Paraná, o comprador indica entre R$ 1.120 e R$ 1.130 a tonelada no interior do estado. Os produtores demonstram interesse entre R$ 1.200 e R$ 1.300 a tonelada. “O estado conseguiu colher boa parte da safra sem grandes prejuízos pelo excesso de chuva. Apenas os cerca de 20% da região dos Campos Gerais enfrentam uma situação parecida com a gaúcha”, pontuou Bento.

Segundo ele, outro fator que limita a realização de negócios é o leilão de PEP/PEPRO que será realizado na próxima terça-feira (31). Nesta sexta serão conhecidos os prêmios a serem oferecidos pelo Governo.

Serão realizados dois leilões, um de PEP e outro de PEPRO, cada um com recursos para escoar 154,8 mil toneladas de trigo em grão. Cada operação visa o escoamento de 70 mil toneladas do RS; 60 mil toneladas do PR; 6,15 mil toneladas de SC; 5 mil toneladas de SP; 7 mil toneladas de MG; 4,1 mil toneladas DF/GO; 1,8 mil toneladas do MS e 750 toneladas da BA. Os prêmios serão divulgados dois dias úteis antes da operação

Chicago

A Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) para o trigo encerrou com preços significativamente mais altos, próximos das máximas do dia. O mercado buscou uma recuperação frente às perdas acentuadas da quarta-feira. As dúvidas sobre a continuidade do corredor de grãos na região do Mar Negro serviram de pretexto para a reação, mesmo que a Ucrânia tenha afirmado que a notícia de suspensão seja falsa. O cenário externo também é ruim, com forte aversão ao risco, com queda forte do petróleo e retração nas bolsas de valores da Europa e Estados Unidos.

As vendas líquidas norte-americanas de trigo, referentes à temporada comercial 2023/24, que tem início em 1o de junho, ficaram em 363.700 toneladas na semana encerrada em 19 de outubro. O México liderou as importações, com 130.000 toneladas. Para a temporada 2024/25, foram mais 17,2 mil toneladas. Analistas esperavam exportações entre 300 mil e 600 mil toneladas, somando-se as duas temporadas. As informações são do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

No fechamento, os contratos com entrega em dezembro eram cotados a US$ 5,79 1/2 por bushel, alta de 11,00 centavos de dólar, ou 1,93%, em relação ao fechamento anterior. Os contratos com entrega em março de 2024 eram negociados a US$ 6,06 por bushel, ganho de 9,75 centavos, ou 1,63% em relação ao fechamento anterior.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão em baixa de 0,20%, sendo negociado a R$ 4,9906 para venda e a R$ 4,9886 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 4,9886 e a máxima de R$ 5,0189.

Foto: Freepik

 

Fonte: Safras e Mercado